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Stress, Diabetes e Coronariopatia




Por Dr. Renato B. Bestetti


Stress é um conjunto de reações, agudas e crônicas,  resultado do
desequilíbrio orgânico ou psicológico do organismo,  inicialmente no complexo mente - cérebro, passando através de diferentes sistemas corporais e retornando para onde tudo começou.


Claude Bernard  definiu  meio interior (ambiente interno corporal)  e observou sua importância no equilíbrio dinâmico e constante do organismo para sua sobrevivência. Cannon chamou de homeostase este equilíbrio dinâmico que Bernard decrevera e, em seus experimentos, demonstrou o padrão de resposta do tipo “ luta ou fuga” frente a qualquer situação ameaçadora e a subsequente liberação de adrenalina da medula ( “centro” ) na glândula supra-renal.

Hans Selye ampliou as observações anteriores incluindo a glândula pituitária como reguladora da secreção de outros hormônios , nestas mesmas situações, pelo córtex ( casca ) da supra-renal e introduziu o termo stress como   “ ações mútuas de forças que atuam em qualquer parte do corpo, físico ou psicológico”.


Através de estudos experimentais com ratos,  em diferentes situações, Selye encontrou respostas padronizadas,  físicas e psicológicas,  a situações adversas impostas a estes animais. Verificou também,  suas consequentes modificações nas glândulas suprarenais e a adaptação geral do organismo. Em quantidades excessivas, estes processos de adaptação poderiam lesar o corpo .


Do ponto de vista prático, stress ocorre quando no cotidiano, as ações e atividades antes facilmente executadas,  tornam-se muito difíceis ou pesadas. As pessoas sentem-se tensas ou nervosas sem necessidade e pequenos problemas assumem grandes proporções, modificando  a homeostase, desajustando as reações adaptativas e dificultando o bem estar físico-mental. Quando é de longa duração, facilita o desencadeamento de diversos problemas e até mesmo doenças. E isso acontece no mundo inteiro.


Em pesquisa realizada na Suécia,  Erikssom e colaboradores do Instituto Karolinska ( Diabet Med 2008; 25 (7) : 834-842 )   procuraram saber quanto o  stress poderia ser um preditor  de pré-diabetes (pré-DM) e Diabetes Mellitus (DM) tipo 2 . Para isso fizeram um estudo do tipo coorte com 5227 pacientes normais, 2127 homens e 3100 mulheres, realizando exames clínicos, laboratoriais e psicológicos por até 10 anos.

Distress foi avaliado através de um questionário sobre ansiedade, apatia, depressão, fadiga e insônia. Seu principal resultado foi: distress psicológico duplica o risco de pré-DM e DM sómente nos suecos. É intrigante porque isso só aconteceu nos homens. 

Uma explicação poderia ser como as mulheres lidam com o stress: conversam mais a respeito dos seus problemas, estão atentas à dieta,  em comparação aos homens, que pouco comunicam seus sintomas e problemas, bebem mais, comem demais, etc. Outra explicação poderia ser uma diferença hormonal?!


Chandola e colegas da Universidade de Londres ( European Heart Journal, March 2008; 29; 579 – 580 ) estudaram 10 308 funcionários do governo britânico entre 35 e 55 anos idade, monitorizando comportamento, a impressão dos trabalhadores sobre o emprego, síndrome metabólica, batimentos cardíacos, pressão arterial, nível de cortisol matinal e coronariopatia (angina, infarto do miocárdio, etc  ).

Seu principal resultado foi: stress crônico nestes pacientes aumentava em 70 %  a chance de desenvolver doença coronariana,  principalmente naqueles com menos de 50 anos. Nos mais idosos e próximos da aposentadoria,  as chances eram menores.


Na prática, estes estudos mostram claramente que o stress acontece mesmo em países avançados como Inglaterra e Suécia, ambos com altos índices de desenvolvimento humano. Nestes países, podem levar a doenças graves, até mesmo para pacientes jovens.  Suas soluções não ofereceram, até o momento,  resultados satisfatórios, porque as doenças estão avançando inclusive na meia-idade.

Nossos números, infelizmente, podem ser piores; porém,  é nossa obrigação melhorá-los. Considerando todas as nossas dificuldades, o mais inteligente seria em nosso meio combater os fatores que levam a este estado em nível individual, como meta de longo prazo. Para isso,  uma proposta razoável: esclarecimento e tratamento individual do stress para todos. A longo prazo, sem pressa, sem stress .




Fonte: Pesquisas Realizadas pelo médico Neurologista Dr. Renato B. Bestetti

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