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Senhores, façam suas apostas! Comparativo Civic e Corolla


Senhores, façam suas apostas! Comparativo Civic e Corolla

Toyota x Honda


Um cara encostou com um Civic ao lado do novo Corolla que eu dirigia e perguntou: “E aí, vale a pena eu trocar de carro ?” “Depende do que você quer”, respondi. E é isso que dizer para você, caro leitor, no decorrer deste comparativo. Esses sedãs já foram muito parecidos entre si, nas gerações passadas. Carros confiáveis, que fazem tudo direito, mas que não emocionavam. Isso até que o Civic chegou à oitava geração com um desenho futurista por dentro e por fora, e uma dirigibilidade mais esportiva. Assim, abriu seu leque de consumidores e desbancou o rival da liderança do segmento. Agora veio o troco da Toyota, o novo Corolla. Mas não espere dele a mesma mudança de filosofia do Honda. Pelo contrário. Manteve-se discreto, “tiozão”, e caprichou no conforto e nos equipamentos. Está mais Corolla do que nunca, sem nenhuma intenção de ser Civic.

Ao contrário do carro, a Toyota não foi nada conservadora no discurso: “Vamos retomar a liderança!”, garantiram seus executivos. Se depender dos nossos leitores, isso não ocorrerá. De acordo com uma enquete feita no site da revista, apenas 27% dos mais de 4.500 votantes acreditam que o novo Corolla vai vender mais do que o Civic. Já os 73% restantes crêem que o Honda continuará na primeira colocação. E a disputa ainda rendeu mais de 300 comentários em nosso fórum.

 

Aproveitando que o assunto está quente, convocamos as versões mais vendidas dos dois modelos, ambas com câmbio automático, para ver qual, afinal, é o melhor sedã médio nacional. O Corolla XEi chega mais caro. Custa R$ 71.590, e pode chegar a R$ 73.590 com bancos de couro e controlador de velocidade. O Civic LXS parte de R$ 70.520 e alcança R$ 72.160 com couro. Mas o Toyota compensa fácil essa diferença com seus equipamentos. Só nele, por exemplo, todos os vidros têm comando um-toque para subir e descer. E pode deixá-los abertos que eles fecham pela chave, ao se acionar a trava das portas. Em segurança, ganha pelos airbags laterais, faróis de neblina e repetidores de seta nos retrovisores. E basta entrar no carro para notar outras benesses que o Civic LXS não tem. No Corolla a gente troca a estação de rádio (ou a faixa do CD) e muda o volume do som sem tirar a mão do volante, além de acessar as informações do computador de bordo. Se escurecer (ou apenas passarmos debaixo de um viaduto), os faróis acendem automaticamente. E se precisarmos passar em um lugar apertado, é só rebater os retrovisores eletricamente por um botão. Para completar, seu ar-condicionado é digital.




Os maiores argumentos do Toyota, no entanto, se esgotam aqui. Lado a lado, é o Civic que parece ter chegado agora e o Corolla há dois anos - e não o contrário. O Honda tem linhas arrojadas, com a frente baixa e as colunas dianteiras bastante avançadas, sem falar na linha de cintura elevada e na traseira curta. Já o novo Toyota é uma evolução óbvia do modelo anterior, com inspiração no que já existia em casa, o Camry. Ficou bonito, principalmente se visto de frente, mas não causa o impacto do Civic. Digo isso porque o carro não chama atenção nas ruas. Fora um ou outro dono de Corolla antigo, e o cara do Civic do começo da matéria, quase ninguém notou o sedã rodando em São Paulo.

Por dentro, a situação se repete. O painel do Corolla melhorou muito. Ganhou formas mais modernas, um belo quadro de instrumentos e materiais de maior qualidade. Ficou mais requintado e, graças ao acabamento imitando aço escovado desta versão XEi, mais jovial. Mas o Civic faz tudo isso parecer comum. O painel em dois andares, que mistura instrumentos digitais e analógicos, ainda encanta como na época do lançamento. O Toyota passa a sensação de um carro chique, mas um carro. No Honda, parece que estamos em uma nave, fato reforçado pela iluminação azul. Questão de gosto.



O “espacial” Civic também recebe melhor seus passageiros. A cabine do Honda é mais larga, e há mais espaço para as pernas e cabeça de quem viaja no banco traseiro. Ao levar os colegas de redação no Corolla, quem foi atrás reclamou de aperto. Na frente, os dois são confortáveis. E sobram porta-objetos tanto no console quanto no painel e nas laterais de porta. A maior diferença reside na posição de dirigir. Mesmo com o banco na altura mais baixa, o motorista do Toyota ainda se posiciona acima do que se estivesse no Honda. Mas se o Civic é ligeiramente melhor na cabine, ele perde feio no porta-malas. Nas nossas medições, coube 325 litros no compartimento do Honda e 487 litros no do Toyota.



 

Rodando, ambos cativam. Mas cada um a seu jeito. O Civic é um carro de reações rápidas e mais disposto a andar rápido. O volante de diâmetro reduzido comanda uma direção direta, a suspensão é firme e os pedais são sensíveis. Enquanto ele “acende” o motorista, o Corolla faz a gente esquecer do mundo lá fora. É mais silencioso e macio. Passe no mesmo buraco com os dois e você verá que o Toyota ganha de longe na suavidade. A direção elétrica é mais leve, e menos rápida. Para quem gosta de conduzir sem pressa, é o carro. Nada nele convida a pisar fundo, mas você pode passar horas dirigindo sem cansar.

Ambos têm motores 1.8 16V, porém, o Honda possui maior potência (140 cv versus 136 cv) e torque (17,7 ante 17,5 kgfm), além de uma marcha a mais - cinco contra quatro. Ou seja, tudo levava a crer que o Civic seria melhor nos testes. Mas o desempenho dos dois foi bem parelho, com pequena vantagem para o... Corolla. Ele acelerou de 0 a 100 km/h em 11,9 s (praticamente a mesma marca do modelo anterior), ou 0,2 s à frente do Civic, e cravou 9,6 s na retomada de 80 a 120 km/h, contra 10 s do rival. Ambos frearam muito bem, mas o Honda se mostrou mais estável. Ao passar dos 160 km/h a dianteira do Toyota flutua de maneira incômoda, exigindo atenção do motorista. O Corolla acompanha o Civic em curvas de baixa e média velocidade, mas acima disso o Honda faz valer sua suspensão tecnicamente superior (independente nas quatro rodas, ao invés do eixo de torção na traseira como no Toyota) e seu acerto mais firme e esportivo.




O Honda perdeu por pouco nas medições, mas ganha na vida real. Como o degrau entre suas marchas é menor, basta uma leve pressão no acelerador para reduzir uma marcha, o que é ótimo em subidas e ultrapassagens. No Toyota é preciso pisar fundo nessas situações, mas seu câmbio permite mudar as marchas manualmente sem apertar qualquer botão, o que é ótimo para usufruir do freio-motor antes de curvas e em descidas. A quinta marcha do Civic permite que ele viaje mais “solto”, com 2.400 rpm a 120 km/h. Na mesma velocidade, o conta-giros do Corolla aponta 2.900 rpm. Como exige menos do motor, o Honda foi mais econômico na estrada, com 11,8 km/l contra 10,2 km/l do Toyota. Na cidade, deu empate, com 6,2 km/l.



 

Somados prós e contras, deu Civic. Ele continua o carro a ser batido na categoria, mas terá de evoluir em equipamentos. A Honda promete novidades neste sentido na linha 2009, que chegará no fim do ano. Se você gostou do Corolla pelo maior conforto, vá em frente, é um senhor sedã. Se você quer novidade, porém, saiba que o “frescor” do Toyota deve durar pouco; em breve as ruas estarão cheias deles. O novo Corolla será um sucesso. Mas dificilmente vai roubar a liderança do Civic.

Moral da História

A mudança do Corolla foi tímida demais para ameaçar a liderança do Civic. O novo carro é muito bom, sem dúvida, principalmente se considerarmos o nível de conforto e equipamentos. Mas quem gosta de modernidade e aprecia uma condução mais interativa permanecerá fã do Civic. E caberá à Honda equipar mais o seu sedã, o que deverá ocorrer na linha 2009, para não deixar o rival em vantagem neste sentido. No entanto, isso não significa que o Civic terá vida fácil. O novo Corolla tem argumentos de sobra para agradar seu público fiel, mais conservador. (Daniel Messeder)



Fonte: Revista Autoesporte

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