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Depressão e alimentação: há alguma associação ?

Postado por Dr. Renato B. Bestetti - CRMSP:52800, no dia -0/11/009- s 3 :17

A busca por uma alimentação saudável é motivo de diferentes pesquisas médicas. Dietas balanceadas promovem saúde, algumas impedindo ou adiando o surgimento de numerosas doenças. Devido isso, muitos tratamentos médicos começam na alimentação.

 

Por outro lado, numerosas publicações tem demonstrado a associação entre péssimos hábitos alimentares e doenças graves. Isso torna-se mais importante à medida que a industrialização assume o controle da nutrição humana, em detrimento a dietas naturais.

 

Akbaraly e demais colegas das Universidades de Montpellier e Londres (The British Journal of Psichiatry 2009, 195:408-413, doi:10.1192/bjp.bp.108.058925) decidiram estudar a associação entre dieta e depressão.

 

Para isso realizaram um estudo coorte utilizando dados do projeto The Whitehall II, pesquisa bem planejada que procura investigar como a classe social, o estilo de vida e os fatores psicossociais contribuem para o desencadeamento das doenças.

 

Recrutaram 3468 europeus brancos, 26% mulheres e idade média de 55 anos, coletando dados sobre padrões dietéticos entre 1997 ? 1999 e sobre depressão entre 2002 - 2004.

 

Dividiram-nos em 2 grandes grupos conforme o padrão alimentar, dieta integral ( vegetais, frutas e peixes) e dieta processada ( sobremesas adocicadas, frituras, carne industrializada, grãos refinados e laticínios fartamente gordurosos). Este padrão foi baseado em questionário com 127 itens que poderiam ter sido ingeridos no ano anterior.

 

Após cinco anos foram reavaliados para Depressão conforme escala padronizada ( Center for Epidemiologic Studies ? Depression Scale). Diversas variáveis foram ajustadas e corrigidas, uma das forças desta pesquisa.

 

Seu principal resultado foi: nestes pacientes a dieta processada é um forte fator de risco para depressão enquanto a dieta integral tem significante efeito protetor. 

 

Embora um estudo cuidadoso e muito interessante, tem algumas limitações. Por exemplo, parece mais provável que a depressão afete primeiramente a dieta e não o contrário, apesar dos autores alegarem que excluíram participantes deprimidos. A melhor forma de avaliar a Depressão é através do exame médico e não de um questionário, o que também aconteceu na alimentação.

  

E estes resultados, baseados no discutível sabor da tradicional dieta inglesa com gordura de carneiro, por sinal muito criticada por seus rivais do continente, não podem ser aplicados generalizadamente.

 

É importante destacar que trata-se de mais um incentivo para a recuperação dos alimentos naturais em contraposição a cada vez mais invasiva dieta industrializada. E isso, por si só, tem muito mérito.



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