Do Livro " Fazer Acontecer"
Autor: Júlio Ribeiro
Presidente da Agêcia de Propaganda Talent
Num jantar, noite dessas, em casa de amigos, ao dizer "muito prazer" para a atraente senhora que bebericava um dry martini, fui surpreendido pela resposta:
- Como muito prazer? Você me conhece há anos.
Eu sou a Carolina, não lembra?
Uau! era a avó do meu amigo. Eu me acostumara a encontrá-Ia, de passagem, em outras reuniões. Parecia uma sombra: sapatinhos baixos, decotes fechados, roupas escuras. Atraente como um pacu em fim de feira.
Nesse dia, porém, ela estava ótima; uma metamorfose encarnada. Queimadinha de sol, bons quilinhos a menos, uma roupa bem alegre, lentes de contato, uns quinze, vinte anos mais nova.
Não me contive:
- Ambrósio, que foi que aconteceu com a sua avó?
Eu nem a reconheci.
- Iiihhh, rapaz, nem me fale. Tá um problema na família.
A velha está apaixonada. Vai se casar. Você nem imagina a figura que é o namorado. Bigodão, parece o Barão do Rio Branco. O homem não sossega um instante. É esportivo, sedutor... Outro dia voltou de viagem e trouxe um tremendo vestido Chanel para ela. A Carolina está enlouquecida.
Comecei então a pensar como as pessoas adquirem o poder de fazer coisas incríveis quando estão em estado de encantamento. Principalmente nas empresas. Já vi acontecer muitas vezes. Empresas apáticas, rotineiras em suas ações, transformam-se em verdadeiros tigres; brilho nos olhos, desenvolvendo capacidades que nem sabiam que tinham; virando o mercado do avesso.
Exemplo? Semp Toshiba, Lojas Americanas, O Estado de S. Paulo, Brastemp, Etti, Grendene, Bamerindus, só para citar clientes da agência. A lista é grande. Todos nós possuímos um potencial que só se revela quando nos apaixonamos por alguma causa. O primeiro princípio ensinado nos cursos de formação de empresários e administradores deveria ser: Mantenha a empresa apaixonada.
O líder precisa ser sedutor. A maioria das pessoas de sucesso que conheço é sedutora; possui o poder de levar a equipe a se apaixonar pelos valores e pelas causas que está empreendendo.Seduzir uma agência de propaganda é um ato de grande importância dentro da estratégia. Traz mais resultados do que seduzir uma viúva rica.
Quando a agência atinge o estado de encantamento, as idéias encontram um ambiente estimulante para se manifestar. Com isso, o rendimento do esforço de comunicação da empresa cresce em progressão geométrica. É magnífico como a gente se dá bem em tudo quando está apaixonado.
Embora já tenha experimentado, não saberia dizer exatamente como a paixão surge, contagia e explode. Sou um homem de marketing, e tal fato só aos poetas é dado saber. Sei, porém, como ela não se manifesta. Alguns clientes acham que estão zelando pelo seu dinheiro quando estabelecem uma relação dura e de vigilância diuturna sobre o trabalho da agência. O resultado final dessa postura, estou cansado de ver, é perverso.
Em vez de maximizar o rendimento do dinheiro investido em publicidade, provoca uma queda brutal de qualidade no trabalho. A pior agência do mundo é a que joga na retranca, cria na defensiva. Normalmente orienta seu trabalho de forma. a não poder ser acusada de nada pelo cliente. Essa agência morre de medo de ferir as suas idiossincrasias - e essa atitude cria um clima de dissimulações, mentiras e temores mal equacionados.
Se você mantém com sua agência uma relação de cobrança permanente e de constantes punições pelas coisas que não saíram exatamente como gostaria; se, no fundo, você acha que os publicitários formam uma tribo de levianos que vivem de fazer gracinhas e ganhar prêmios com o seu dinheiro; se castra qualquer idéia inovadora com medo que seja arriscada demais; se procura novas maneiras para pagar cada vez menos pelo trabalho que recebe, pode ter certeza de uma coisa, meu amigo: ninguém vai se apaixonar por você.
Um conselho a quem anda em busca da melhor agência do mundo: sejá você também um sedutor. Transforme a agência na sua velhinha. Faça ela se apaixonar por você e por seu produto. Depois... bem,
aproveite. Extraia dela, até a última gota, o talento e a capacidade de fazer as coisas acontecerem.
Colaboradores e sócios da Talent: Ana Carmen Rivaben Longobardi, José Francisco P. Eustachio
Colaborador: Jornalista José Ruy Gandra
