Saúde em Foco: Por Dr. Renato B. Bestetti
Planejado inicialmente para testar os benefícios do ácido acetil salicílico (AAS) e beta caroteno na prevenção primária de doenças cardiovasculares e câncer, o projeto Physicians? Health Study (PHS) começou em 1982 e, 300 publicações após, continua produzindo dados.
O estudo inicial, PHS-I, terminou em 1995 e sua principal conclusão foi: AAS em baixas doses, diariamente, diminui a chance de um primeiro infarto cardíaco.
Diversos estudos populacionais mostram os benefícios de determinados hábitos na saúde, entre eles o consumo de frutas e verduras. Os pesquisadores tem muita curiosidade em saber quais substâncias seriam, verdadeiramente, as responsáveis por esta melhora.
As pesquisas em áreas básicas sugerem um efeito cardioprotetor para as vitaminas C e E, bons antioxidantes. E a indústria farmacêutica incentiva o que puder para promover o consumo de pílulas rapidamente, em contraste à promoção do lento saborear e mastigar alimentos, notadamente em determinadas culturas onde tudo tem que ser muito, muito rápido...
Um segundo estudo, PHS-II, começou em 1997 e procurava testar risco e benefício das vitaminas E, C e um polivitamínico na prevenção primária de doenças cardiovasculares, câncer e doenças oculares relacionadas à idade. É o maior estudo em andamento a este respeito, daí a sua importância para nós, médicos e pacientes.
Os resultados iniciais para as vitaminas C e E foram publicados por Sesso e colaboradores recentemente (JAMA 2008;300(18):2123-2133). Trata-se de um estudo clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, envolvendo 14641 médicos americanos com idade mínima de 50 anos.
Os eventos cardiovasculares analisados foram infarto cardíaco , infarto cerebral e morte por doença cardíaca. Durante um seguimento médio de 8 anos, ocorreram 1245 deles.
Seu principal resultado foi: ambas as vitaminas não demonstraram efeito protetor cardiovascular em homens e a vitamina E estava associada a um maior risco de hemorragia cerebral nos pacientes analisados.
Pode ser que o bom estado de saúde apresentado por grandes consumidores de frutas e vegetais seja devido a outros fatores, que não as vitaminas estudadas. De qualquer modo, o papel dos antioxidantes isoladamente na prevenção de eventos cardiovasculares deverá ser melhor analisado.
Até novas e melhores explicações surgirem para este objetivo especificamente, a prevenção de doenças cardiovasculares tem hoje muitas possibilidades, e as melhores estratégias podem ser discutidas por cada um, com seu médico. E se não houver contra-indicação, é muito bom comer frutas e verduras à vontade.
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