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Vinho Tinto: qual a quantidade ideal?

Por Dr. Renato B. Bestetti

Numerosos estudos epidemiológicos, demonstram que a moderada ingestão de bebidas alcoólicas está associada a uma redução no risco de complicações de determinadas doenças.

 

Aterosclerose é um termo geral para várias doenças nas quais se verifica espessamento (engrossamento) e perda de elasticidade (endurecimento) da parede arterial, com acúmulo progressivo de gordura debaixo do seu revestimento interno, diminuindo progressivamente o fluxo sanguíneo e prejudicando o funcionamento dos órgãos acometidos.

 

Atinge artérias do cérebro, coração, rins, outros órgãos vitais, braços e pernas. Quando acomete artérias que alimentam o cérebro (artérias carótidas, cerebrais, vertebrais, basilar), pode levar a um infarto cerebral; quando nas artérias que alimentam o coração (artérias coronárias), infarto do miocárdio.

 

Uma das muitas abordagens estudadas contra a Aterosclerose e suas complicações, é a ingestão de vinho. Entre estes, o tinto (VT) é de longe, a melhor opção. E muitos autores tem sugerido, no mínimo, uma taça diariamente, com a intenção de acentuar esta proteção cardiovascular.

 

Os compostos fenólicos no VT tem importante função limitante no início e progressão da aterosclerose. Junto ao etanol, promovem a formação de óxido nítrico, um fator relaxante decisivo na regulação do tônus vascular, que ainda protege contra lesão arterial, inibe a adesão de células inflamatórias e também a agregação de plaquetas na paredes dos vasos, dificultando a formação de coágulos.

 

Mas o que acontece, de fato, quando ingerimos mais de uma taça de VT? Aumentaríamos esta proteção ? Spaak e colaboradores da Universidade de Toronto (Am J Phyisol Heart Circ Physiol 2008;294:605-612) supondo, resumidamente, que os efeitos agudos de uma segunda taça seriam diferentes, realizaram um estudo de intervenção para tentar responder estas questões.

 

Para isso, utilizaram 13 pacientes voluntários(7 homens e 6 mulheres, 24 a 47 anos) que ingeriam, em 3 sessões de testes separadas, doses de água (Perrier) , uma mistura desta com etanol (95%) e, finalmente, puro VT.

 

Foram analisados eletrocardiograma, pressão arterial, atividade simpática em um nervo da perna, medidas hemodinâmicas em um braço e uma série de exames séricos.

 

Isso era feito em condições iniciais e repetidos após cada sessão de testes em separado; nenhum dos pesquisadores sabia o que cada paciente estava ingerindo a cada sessão. Mas isto não impedia os voluntário de sentirem o gosto do que lhes era oferecido...

 

Seu principal resultado foi: a segunda taça de VT aumentava a frequência cardíaca, o débito cardíaco e a atividade simpática (adrenalina), portanto exigindo mais do coração. Esta ação era completamente oposta aos efeitos benéficos da primeira taça.

 

Apesar de ser um estudo pequeno, ele amplia o debate sobre os benefícios do vinho tinto e procura a quantidade segura de sua ingestão. Seus resultados sugerem limites no seu consumo, de forma que ainda é prudente, hoje, apenas uma taça de vinho tinto diariamente.

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